
Jane’c: da produção artesanal na pandemia à referência regional em Fernet
Empresa gaúcha nasceu durante a pandemia, a partir de uma produção artesanal desenvolvida por pai e filho, e hoje está presente em mais de 500 estabelecimentos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina
A história da Jane’c Herbal Company começou em 2020, em meio a um dos períodos mais desafiadores da história recente. Criada no Rio Grande do Sul por Edu Daltro Copetti e seu filho, Luis Fernando Spagnol Copetti, a empresa nasceu de uma experiência artesanal que, com o passar dos anos, transformou-se em um negócio voltado à produção de bebidas destiladas de ervas.
A marca tornou-se conhecida por desenvolver o primeiro Fernet Missioneiro e por construir uma identidade própria dentro do segmento de bitters de ervas, combinando tradição, processos artesanais e referências culturais da região.
Uma história que começou na indústria:
Antes da criação da Jane’c, Edu Daltro Copetti já possuía uma trajetória ligada à indústria. Atuando no setor de formicidas, trabalhou ao lado do pai, Ângelo Archanjo Copetti, no desenvolvimento e na construção de maquinários próprios para as operações industriais da família.
O conhecimento adquirido ao longo dos anos seria posteriormente incorporado à nova empreitada. Na criação da Jane’c, Edu participou diretamente do desenvolvimento e da construção de parte dos equipamentos e sistemas utilizados na produção dos destilados, aplicando à nova atividade a experiência acumulada no setor industrial.
Da improvisação ao primeiro produto:
Foi durante a pandemia de Covid-19 que pai e filho começaram a desenvolver artesanalmente uma bebida à base de ervas. Em um primeiro momento, a produção era experimental e destinada ao consumo próprio e ao bar da família.
O início esteve longe de uma estrutura industrial convencional. O primeiro equipamento utilizado na destilação foi construído de forma improvisada, com materiais reaproveitados, entre eles uma panela de pressão e componentes de cobre retirados de uma antiga geladeira da família.
A partir daí, começaram os testes de formulação. Ervas, proporções, processos e características sensoriais foram sendo ajustados até que a dupla chegasse a uma receita considerada estável.
A bebida passou a chamar a atenção de clientes e frequentadores do estabelecimento da família. O que inicialmente era um projeto artesanal começou, então, a ganhar características de negócio.
O nome Jane’c:
A escolha do nome da marca também carrega uma história familiar.
Jane’c foi uma denominação escolhida a partir da participação de clientes e surgiu como uma homenagem a Dona Jenoefa Spagnol Copetti, mãe de Luis, conhecida como “Jane”.
Já a letra “C” representa o sobrenome da família Copetti. O nome acabou simbolizando a união entre os pais de Luis e a participação da família na construção do empreendimento.
A relação familiar também se tornou um dos elementos centrais da identidade da empresa.
Luis Copetti costuma recordar a infância vivida próximo às atividades industriais do pai. Entre essas lembranças está o cheiro característico de laranja que Edu levava para casa depois de trabalhar na produção de formicidas.
Anos mais tarde, já envolvido com a fabricação dos destilados, Luis passou a vivenciar uma situação semelhante: retornar para casa carregando o aroma das ervas utilizadas na produção da bebida.
A lembrança acabou ganhando um significado simbólico para a marca, associada à continuidade de uma história familiar construída entre diferentes gerações.
Identidade missioneira:
Além da história familiar, a Jane’c incorporou elementos da cultura regional à sua identidade.
Um dos principais símbolos utilizados pela empresa é a serpente M’Boi Guaçu, personagem presente na tradição e na simbologia missioneira. Na identidade da marca, a figura está associada a conceitos como transformação, renovação e força.
A proposta é estabelecer uma conexão entre o produto e o território onde a empresa surgiu, levando elementos da cultura das Missões para uma bebida que tradicionalmente possui forte presença em outros mercados.
57 ervas e botânicos:
O principal produto da empresa é um bitter do estilo fernet, desenvolvido a partir de uma combinação de 57 ervas e botânicos provenientes de mais de 20 países.
A empresa também busca diferenciar seu processo pela utilização das próprias matérias-primas botânicas em etapas da produção, em vez de basear o perfil sensorial exclusivamente em compostos aromáticos prontos.
Em um mercado no qual os aromas e extratos sintéticos são amplamente utilizados na elaboração de bebidas, a Jane’c afirma optar por uma proposta baseada em matérias-primas naturais e processos próprios, posicionando seus produtos dentro de uma categoria premium e buscando competir com marcas internacionais presentes no mercado brasileiro.
O resultado é uma bebida de perfil amargo e complexo, característica tradicional dos fernet, com diferentes versões e intensidades, incluindo opções com menta.
Da produção artesanal à expansão:
A trajetória da Jane’c também foi marcada por mudanças estruturais. O que começou com equipamentos improvisados e produção experimental evoluiu para uma operação organizada e voltada à expansão comercial.
Um dos momentos mais marcantes dessa trajetória ocorreu durante o processo de estruturação e legalização da produção, quando Edu Daltro Copetti faleceu, pouco antes do início das operações formais da nova planta industrial.
Com a perda do pai, Luis Copetti assumiu a continuidade do projeto e passou a conduzir a expansão da empresa, mantendo a proposta construída desde o início da sociedade entre pai e filho.
A história da Jane’c, dessa forma, passou a carregar também o legado industrial deixado por Edu e a continuidade de um projeto iniciado em família.
Presença em mais de 500 estabelecimentos:
Atualmente, a Jane’c atua no segmento de bebidas destiladas de ervas e já alcançou presença em mais de 500 estabelecimentos nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
A marca, que começou atendendo principalmente consumidores da região das Missões, ampliou gradualmente sua distribuição e passou a ocupar espaço em diferentes pontos de venda e estabelecimentos especializados em bebidas.
A empresa também desenvolve projetos de expansão para outros estados brasileiros, com novos mercados previstos para serem trabalhados a partir de 2027.
Uma marca que ajudou a movimentar o mercado regional:
Em poucos anos, a Jane’c deixou de ser uma experiência artesanal desenvolvida durante a pandemia para se tornar uma referência regional no segmento de fernet.
O crescimento da categoria nas Missões também foi acompanhado pelo surgimento de novos produtores e marcas interessados no mercado de bitters e bebidas de ervas — movimento que colocou a região em uma posição até então pouco explorada dentro desse segmento.
A trajetória da Jane’c reúne, assim, três elementos que se tornaram centrais para a marca: a experiência industrial herdada da família, a relação entre pai e filho e a identidade cultural das Missões.
De uma produção improvisada em plena pandemia a uma marca presente em centenas de estabelecimentos, a empresa segue ampliando sua atuação e preparando uma nova etapa de expansão nacional.
BY: Marcos Eli (Bicho Papão) 03/Setembro/2026
